A REAF expande apoios e recebe adesões

A XXI Reunião Especializada de Agricultura Familiar (REAF) foi realizada em Misiones, Argentina, mas foi feita sob a Presidência pro tempore da Venezuela. Esse dado, por si só, mostra, segundo o secretário técnico da REAF, Lauraro Viscay, o grau de articulação que em pouco tempo foi obtido pelos países fundadores do Mercosul, em nível de agricultura familiar, com o país caribenho.
“A presidência era da Venezuela, e a REAF foi feita na Argentina, o que deixa evidente que a capacidade de diálogo entre os países é muito importante”, ressaltou Viscay. Comentou, nessa linha, que há avanços também no trabalho com outros países: Equador, Bolívia, Chile, entre outros.

Em entrevista ao FIDA Mercosul CLAEH, Viscay destacou, além disso, que na 21a edição da REAF houve a presença de todos os países membros do bloco e representantes desses países, de onde vieram funcionários e integrantes da sociedade civil.

Nessa oportunidade, o apoio do setor político foi muito forte, já que estiveram presentes três ministros de Agricultura e vários deputados nacionais dos países. “Da abertura participaram o ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Carlos Casamiquela; o ministro da Agricultura e Pecuária do Paraguai, Jorge Gattini, e o ministro da Agricultura, Pecuária, Aquacultura e Pesca do Equador, Javier Ponce Cevallos.”

“Tivemos a participação da sociedade civil da América Central, do Programa de Diálogo Rural Regional da América Central e também de um companheiro de Moçambique, que chegou em representação do grupo de trabalho do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)”, relembrou Viscay.

Ele enfatizou, por outro lado, o trabalho “muito intenso” realizado com a FAO, especialmente na cooperação sul-sul, em temas como segurança alimentar e nutricional. E comemorou os 10 anos de experiência do grupo de trabalho de agricultura familiar da CELAC.

Uma novidade foi a atividade da Unila com o fórum de universidades para a agricultura familiar da Argentina. Mais de 30 alunos da Unila participaram.

“A REAF registrou o Primeiro Encontro sobre Universidade e Políticas Públicas para a Agricultura Familiar e Camponesa com a participação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e do Fórum de Universidades para a Agricultura Familiar da Argentina. Os docentes da UNILA expuseram os objetivos estratégicos e propostas curriculares, destacando que a perspectiva de integração regional está refletida nas diversas procedências, tanto de docentes como de alunos”, relembra a ata da reunião.

“Tivemos a presença de todos os movimentos e organizações sociais através de uma declaração. Ali estava a mensagem de que avancemos em um selo da agricultura nacional, a importância de fortalecer as seções nacionais e os comitês nacionais do AIAF e das políticas de acesso à terra e de reforma agrária. Comercialização e abastecimento foram temas fortes, bem como políticas de acesso à tecnologia, assistência técnica e extensão rural”, informou o secretário técnico.

Acrescentou que no grupo de comércio houve avanços na proposta de selos para a agricultura familiar e detalhou o segundo programa de compras públicas, incluindo-se países que não estavam no primeiro. “Destacou-se o projeto de reserva de mercado no Uruguai como uma conquista”, indicou.

Referiu-se também ao lugar alcançado pela consideração da experiência de La Clementina, como uma experiência de grande escala quanto à recuperação da terra. “E foi reafirmada a importância do fortalecimento de políticas de gênero”, lembrou.

Na REAF também houve discussões quanto ao apoio do GT de Registro aos países que estão começando seus processos nessa questão. Um dos países em que o registro de agricultores familiares está sendo construído é o Equador, indicou Viscay.

Destacou ainda a realização do quarto curso de formação de jovens que acontecerá em Brasília, de 23 a 29 de novembro.
Finalmente, disse, foram realizadas três declarações que foram assinadas por ministros e altas autoridades.

A REAF agora conta com um escritório novo em Montevidéu, fruto do “passo institucional” consolidado ao se completarem mais de dez anos de funcionamento, comentou Viscay.

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