Estado uruguaio comprará de produtores familiares

Convenio compras públicas (Uruguay)

“Hoje vão dar trabalho a pessoas que ficaram sem trabalho pelo fato de serem produtores pequenos, porque não têm capital.”

Assim falou, muito emocionado, um representante das organizações que neste mês assinaram um convênio de compras públicas com o Estado uruguaio. E garantiu: “Não vamos decepcioná-los”.

Trata-se, disse, de fazer comércio com pessoas que têm três ou quatro hectares, “em uma região onde não há outra coisa para fazer e onde a agricultura dá trabalho para elas”.

Apesar de ainda não estar votada a lei de compras públicas que prevê que o Estado se abasteça com 30% do que é produzido pela agricultura familiar, esse convênio é um pontapé e marca o começo de um caminho, segundo avaliou Fernando Andrade, presidente da Associação Uruguaia de Criadores de Porcos.

O Ministério do Interior assinou quatro acordos com grupos de produtores familiares associados. Comprará deles porcos, frangos, macarrão e farinha, que abastecerão o Instituto Nacional de Reabilitação.
Andrade é produtor familiar de porcos há 16 anos. Tem seu criadouro no lugar onde mora com a sua família, em San Jacinto, Canelones. São oito hectares dos quais depende a economia familiar.

Em entrevista com o Fida Mercosul, contou que 700 produtores (500 de Canelones e 200 de Lavalleja, Flores e Montevidéu rural) serão beneficiados com o convênio assinado recentemente. Trata-se do primeiro acordo de compras públicas para a associação que ele preside e o primeiro do Uruguai, segundo destacou.

A Associação Uruguaia de Criadores vai entregar 30 filhotes por mês. Esses filhotes devem pesar entre 80 e 90 quilos, e cada produtor receberá 47 pesos uruguaios (cerca de R$ 4,9) por quilo, informou.

O animal demora cinco meses para engordar até alcançar esse preço de venda, e o mais caro é a ração. “A ideia é aumentar a quota”, disse Andrade, e adiantou que vão procurar se organizar para comprar a ração em conjunto e assim baratear esse setor.

Famílias que eram “criadoras temporárias de leitão” e que trabalhavam apenas durante o final do ano vão poder vender mais e a um preço rentável, de acordo com o criador.

O Ministério do Interior também se comprometeu a comprar macarrão da cooperativa Caorsi, farinha dos Moinhos Santa Rosa e frango de criadores familiares organizados.

“Para nós é uma compra importante e para quem nos vende também”, ressaltou o ministro do Interior, Eduardo Bonomi. “É uma alegria assinar isso, ajudar e que nos ajudem”, acrescentou.

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