Aprendiz do campo: estimulando a sucessão rural por meio do cooperativismo no município de Teutônia no sul do Brasil

Nos últimos anos houve uma drástica redução da população que vive no meio rural e que tinha na atividade agropecuária sua principal fonte de renda. Esse processo é agravado na medida em que a saída ocorre sobretudo entre jovens, representando desafio central nas ações e estratégias que procuram pensar o desenvolvimento rural no Brasil. Diante desse contexto, o presente trabalho analisa uma proposta de educação rural, alicerçada no cooperativismo, que visa formar jovens autônomos, protagonistas e que possam fazer da atividade agrícola sua escolha profissional, enquanto estratégias de incentivo à permanência de jovens no meio rural.

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Argentina: La flor más rica del invierno

Argentina: La flor más rica del invierno, Asociación Alcauciles Platenses, La Plata, Provincia de Buenos Aires

“Soy oriunda de Lobos, provincia de Buenos Aires. Allá crecí, fui al colegio y aún hoy vive mi familia”, se presenta Adriana, una ingeniera agrónoma a la que siempre le gustaron el campo y la naturaleza. “Cuando llegó el momento de decidir mi futuro no lo dudé y me fui a la Universidad de La Plata a estudiar agronomía”. Su idea era conseguir el título y regresar, pero las vueltas de la vida la llevaron por otros caminos y finalmente, además de obtener su diploma, en La Plata se cruzó con Gonzalo, un compañero de estudios que años más tarde se convertiría en su marido. Y también en su socio.

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Paraguay: el Comité de Mujeres Kuñá Guapa y su evolución hacia etapas autogestionadas

El Comité de Mujeres Kuñá Guapa es una organización integrada en su totalidad por mujeres pertenecientes al segmento de la agricultura familiar campesina.

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O Kaingang e a produção de alimentos

O Kaingang e a produção de alimentos: a experiência na Terra Indígena Guarita

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Os índios Kaingang são considerados um dos grupos mais numerosos que habitam o Brasil, com aproximadamente 34 mil pessoas. Sozinhos correspondem a quase 50% de toda população de língua Jê, estando entre os cinco povos indígenas mais populosos no Brasil. Desenvolvem sua cultura aos arredores de pinheirais das regiões sul e sudeste do país, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em vista das alterações no curso histórico-cultural destas populações – provocadas principalmente pelo avanço e pressões de uma sociedade que pouco compreende o modo de vida indígena –, com o propósito de contribuir com o resgate cultural e permanência de seus hábitos alimentares e melhor qualidade de vida, instituições têm suas preocupações voltadas às questões alimentares dos indígenas, como no caso da Terra da Guarita, localizada na Região Noroeste Colonial no estado do Rio Grande do RS.

A Terra Indígena Guarita (TIG), maior reserva indígena do estado do Rio Grande do Sul, da Etnia Kaingang, conta com mais de 23 mil hectares de área, abrange os municípios de Redentora, Tenente Portela e Erval Seco. É nestas localidades que os índios cultivam alimentos como feijão, batata doce, mandioca, moranga, abóbora, cana de açúcar, amendoim, arroz e diversas variedades de milho crioulo, comumente utilizados para o autoconsumo e a produção excedente é comercializada internamente na Terra Indígena Guarita-TIG, por meio de uma cooperativa, a Cooperativa Agropecuária dos Agricultores Familiares de Tenente Portela (Cooperfamiliar) na qual quase totalidade dos associados são indígenas, e por meio da Associação de Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade de Tenente Portela (AGABIO). A associação é importante incentivadora da produção indígena, realizando a organização da produção e intermediando a comercialização, tendo como principais consumidores dos alimentos produzidos pelos indígenas alunos de escolas públicas municipais de Tenente Portela e de Redentora, bem como da escola estadual da Terra Indígena Guarita.

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Diante do crescente aumento da produção de alimentos por parte dos indígenas e na busca da valorização cultural, o povo Kaingang, da Terra Indígena Guarita, foi a primeira comunidade no Brasil, juntamente com a comunidade Kiriri, na Bahia, a receber o Selo Indígenas do Brasil, que indica que o produto foi cultivado ou coletado em uma terra indígena ou por um indígena participante do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O Selo Indígenas do Brasil

A iniciativa de identificação de origem, do então Ministério do Desenvolvimento Agrário, agora Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), juntamente com o Ministério da Justiça e com apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), têm como objetivo dar visibilidade à produção indígena, além de informar ao consumidor a origem cultural, étnica e territorial dos produtos.

A experiência dos indígenas Kaingang na produção e comercialização de alimentos e na conservação e na manutenção da Agrobiodiversidade no município de Tenente Portela, retrata a importância da produção de alimentos para o autoconsumo e também para geração de renda, uma vez que a população indígena vem em constante crescimento populacional. De acordo com Instituto Socioambiental-ISA (2017) a população da TI Guarita passou de 3.760 em 1993 para 5.776 em 2014, requerendo, desta forma, que a questão alimentar fosse tratada com prioridade e com especial atenção.

Neste sentido, conforme relato do coordenador da Cooperativa Agropecuária dos Agricultores Familiares de Tenente Portela (Cooperfamiliar), Valmor Machado Soares, a cooperativa atua como colaboradora no processo de produção por meio de assistência técnica, promovendo reuniões, cursos e palestras com o intuito de contribuir com a organização social e produtiva da TI. De acordo com gestor, a cooperativa comercializa em média o equivalente a R$ 220 mil em alimentos para o PNAE por semestre. Em que, durante um ano, somente em feijão foram comercializadas mais de 30 toneladas para o PNAE, sem contar os outros alimentos, como batata-doce, mandioca e farinha de milho. Alimentos esses, em sua grande maioria, produzidos na TI Guarita.

Desta forma a identificação de origem se tornou possível com o apoio da Cooperfamiliar, que desenvolve projetos com 200 famílias de agricultores indígenas, em que o artesanato e os alimentos dos kaingangs são comercializados por intermédio da Cooperativa diretamente ao consumidor. Há participação de indígenas também na Associação dos Agricultores Guardiões da Agrobiodiversidade de Tenente Portela (Agabio). Esta associação foi inicialmente criada por um grupo de agricultores, mas hoje conta com significativa participação dos indígenas. O objetivo da Agabio é promover a agrobiodiversidade junto às comunidades rurais e indígenas do município, buscando incrementar a produção de alimentos saudáveis e a segurança e soberania alimentar das famílias.

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Ocorre anualmente a Mostra da Agrobiodiversidade, em que produtos indígenas são comercializados, entre eles alimentos, sementes e artesanato. Os indígenas participam das feiras semanais no município de Tenente Portela, em que comercializam alimentos, em sua maioria agroecológicos.

Os indígenas participam de feiras nacionais. A exemplo, em 2015, expuseram na 2ª Feira Nacional da Agricultura Tradicional Indígena, realizada juntamente aos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas em Palmas, no Tocantins. Já no ano de 2016, a produção da comunidade esteve presente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Conforme relato do gestor da cooperativa o selo agregou valor à produção indígena, pois antes do uso do selo a comunidade indígena produzia para subsistência e vendia informalmente e com esta identificação e apoio da assistência técnica a organização da produção agregou valor aos produtos, em que a produção aumentou e passou a gerar renda para as famílias com o acesso a mercados regionais.

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As lideranças indígenas entendem que o uso do selo agregou valor aos produtos. Anteriormente a comunidade indígena produzia para subsistência e vendia informalmente. Com a incorporação e utilização do selo, juntamente com assistência técnica e apoio à organização da produção, houve agregação de valor aos produtos e reconhecimento como identidade dos Kaingang, alcançando mercados regionais.

Produção de alimentos para a soberania e segurança alimentar da terra indígena

A organização social, por meio da cooperativa e da associação contribuem para a segurança alimentar e nutricional da terra indígena, como também da região, passando a oferecer produtos de qualidade produzidos localmente. A compra dos alimentos pelos mercados institucionais e nas feiras locais têm a possibilitado a complementação da renda da comunidade indígena, ao mesmo tempo em que produzem alimentos para a cidade. Neste sentido o desenvolvimento rural sustentável, por meio de ações de segurança alimentar vinculado a valores locais, contribui para equidade a alimentar.

A soberania alimentar surge como forma de manutenção das práticas associadas à produção, processamento e consumo de alimentos, cooperando para além do autoconsumo e mantendo a memória alimentar para a comunidade indígena. O conjunto de práticas associadas à alimentação demonstra para a comunidade uma série de valores associados ao modo de produzir e o cuidado com a terra, fomentando que este sistema de símbolos sejam passadas de geração em geração.
A manutenção da agrobiodiversidade com a produção de alimentos, contribui para o povo indígena manter os valores associados a comunidade. A transformação do alimento em comida em seus processos transcendem processos sociais, a forma com que é produzido é única. Nesse sentido, o selo contribui para a valorização desse modo de fazer, culminando na soberania alimentar, repassando conhecimentos para as próximas gerações.

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Essa experiência reforça a importância de realizar reflexões sobre o uso e entendimentos sobre a terra, que, para comunidades indígenas, têm valor simbólico relacionada a sobrevivência e a continuidade de valores culturais desse grupo. Os estímulos para a produção local com o Selo Indígenas do Brasil, para além de contribuir com a indicação geográfica dos alimentos produzidos na Terra Indígena, é fundamental para a manutenção da agrobiodiversidade na medida em que incentiva essa produção entre os indígenas. Paralelamente, o selo vem contribuindo com ações em prol da soberania alimentar e da segurança alimentar, pautas preponderantes na agenda política brasileira.

O selo vem para reforçar os aspectos da soberania e segurança alimentar da terra indígena, que visa ampliar o processo de inclusão produtiva das comunidades indígenas, e que estimula a produção da agrobiodiversidade local com o intuito de agregar valor aos produtos do seu auto consumo, contribuindo com a permanência de seus hábitos alimentares que cooperam para a segurança alimentar e nutricional da comunidade. Além de garantir a permanência e a continuidade das famílias Kaingang que ali residem com suas crenças, usos e costumes.

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Contato:
Grupo de Estudos e Pesquisas Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural – GEPAD
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
Porto Alegre, Rio grande do Sul, Brasil
Alessandra Matte – Secretaria de Assuntos Gerais
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Autores do artigo:
Elaine Marisa Andriolli. Bacharela em Administração (UPF) mestranda do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural – PGDR/UFGRS. Pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Territorial – NIPEDET – UFSM/PM. E-mail: Esta dirección de correo electrónico está protegida contra spambots. Usted necesita tener Javascript activado para poder verla.

João Ernesto Pelissari Candido. Bacharel em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar (UNILA), graduando do curso de Licenciatura em Sociologia (UNAR), mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural – PGDR/UFGRS. E-mail: Esta dirección de correo electrónico está protegida contra spambots. Usted necesita tener Javascript activado para poder verla.

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